sexta-feira, 22 de abril de 2011

PARIQUÉRA


PARIQUÉRA



Cegonha vinha voando

Tinha um bebê no bico

Por Iguape foi passando;

- Nesse lugar eu não fico!


Foi pousar em Pariquéra

Entregar a sua carga...

Iguape ficou uma fera;

- Essa cegonha me paga!


Foi armada uma arapuca

Para pegar o bichinho...

O povo sempre cutuca:

- Vai chover dinheirinho!


Aqui só tem estrangeiro

Criança não nasce mais

Iguape fez seu viveiro

Em meio dos bananais.


Quem aqui quiser ter filho

Vá buscar em Pariquéra...

Vá pela estrada sem trilho

... Entre na fila de espera!


Traga o pivete prá casa

Dê a ele muito amor...

A cegonha bateu asa;

- Lá vai mais um eleitor!



Gastão Ferreira/2011

BICHO TRISTE


BICHO TRISTE



A mente mente

E consente...

A fome tem nome

O nome é homem.


O homem existe

Porque resiste...

Bicho que persiste

Bicho triste.


A mente padece

Grande fome...

A mente esquece

Mata o homem.


A fome chama

... Ela come.

Ela consome

Quem ama...


Saudade vai

Saudade vem

Saudade esvai

Quem a tem!


Gastão Ferreira/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

CASA DE VENTO


CASA DE VENTO



A minha casa de vento

Tem janelas de luar...

Nela o bom pensamento

Tem morada e tem lugar.


Bebél minha gata preta

Léu, seu filho, é bicolor

Com ela não tem mutreta

O gatinho é um caçador...


Do morro o contraforte

De casa eu posso avistar...

Em noite de vento forte

Ouço o murmúrio do mar.


Minha casa é meu ninho

Meu cantinho de sonhar

Sou menino passarinho

Espiando a vida a passar


Já quebrei todas as regras

Do meu coração cantor...

Da Vida que me carrega

Sou aluno e professor!


Gastão/Iguape/2011

domingo, 17 de abril de 2011


NO TEU CÉU...

Cantigas que me encantaram

Acalantos de ninar...

Mãos que o berço embalaram

Saudade do teu olhar!


Os caminhos dessa vida

Levam a todo o lugar...

A tua alma querida

Um dia irei encontrar.


Quem sabe no paraíso

Ou talvez noutro local

Eu beberei do teu riso

No teu amor maternal


Cantigas que embalaram

Acalantos de sonhar...

Tantas dores que passaram

Voltaram a me machucar...


Saudade que chega mansa

Saudade que vem e some

Eu sou eterna criança...

A saudade tem teu nome!


Estou só no meu caminho

Provando do amargo fel,

Mas eu sei que teu carinho

Me espera no teu céu!

Gastão Ferreira/2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

OUTONO


OUTONO



Tarde mansa de Outono

Vento brando a soprar

No terraço em abandono

Passarinho vem cantar.


Canta, canta passarinho!

Como é belo o teu cantar

É lembrança do teu ninho

É cantiga de sonhar?


Abro portas e janelas...

Deixo a saudade entrar

São perdidas caravelas

Navegando no meu mar.


Céu azul a tarde enfeita,

Coração, nuvem a passar

Lua cheia a Terra espreita

Lá do alto a me encantar!


Gastão Ferreira/2011