quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MINHAS ASAS...


MINHAS ASAS...


Que fim levou meu sonho

Que não chegou a nascer?

No peito chora tristonho

Numa angustia de viver!


De mim eu lembro criança

Sonhando um dia voar...

Ficou na doce lembrança

Nunca sai do lugar...


As asas jamais cresceram

Não no meu corpo mortal

As asas em mim surgiram

Na minha alma imortal...


É com elas que eu abraço

O que existe no universo

Em tudo aquilo que faço

Ponho asas no meu verso!


Gastão Ferreira/2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

NAMORICOS NA BEIRA DO VALO...


PÉ DE ARAÇÁ...


No final da minha rua

Tem um pé de Araçá...

Onde Amor se insinua

Quando se passa por lá!


De repente no escurinho

Balança o pé de Araçá...

Tem passarinho no ninho

E não é nenhum Sabiá!


Quem comer a frutinha

Pensando que é arroz

Recebe um presentinho;

Vem nove meses depois!


Feche a porta e a janela

Não se engane, por favor!

Na barriga da donzela

Tem filho de pescador...


Gastão Ferreira/2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MADRUGADA


MADRUGADA...


Eu sei que a madrugada

Antecede a luz do dia...

No silêncio das calçadas

Onde dorme a poesia...


Vem chegando a realidade

Antes do amanhecer...

Quando chora a saudade

É momento de esquecer.


Bate o sino da capela

Acordando o povaréu

Adormece uma estrela

Que me espia lá do Céu!


Vagando pela cidade

Segue um triste cantor

Procura a felicidade

Passarinho cantador!


Gastão Ferreira/2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

SEM COBRANÇAS...


AMOR DE CARNAVAL...


Quero aquecer meu Inverno

Com o teu breve Verão...

Não quero um Amor eterno

Quero uma louca paixão...


Quero rever o meu riso

Que a tristeza roubou.

Perder-me no paraíso

Onde a Beleza cantou!


Esquecer minhas mágoas

Na tua pele macia...

Navegar nas tuas águas

Na calma tarde vadia.


Depois! Partirei sozinho...

Na solidão sem cobranças

Seguirei o meu caminho

Num silêncio de lembranças!


Gastão Ferreira/2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ENTERRO DE AUTORIDADE...


MISTÉRIO...


Pelo andar da carruagem

Nunca vi maior enterro...

De quem será a viagem?

É bem grande o entrevero


De pobre não pode ser

São carregados na mão

Neste que estou a ver

Está faltando emoção!


Deve ser do coronel!...

Foi mandante na cidade

Um coronel sem quartel

Todo feito de ruindade...


Eta bisonho povinho

Vivendo de beijar mão

Vai grudado no mortinho

Prá não fugir do caixão...


Na porta do cemitério

O povo soltou rojão...

Acabou-se o mistério

É enterro de ladrão!


Gastão Ferreira/2011