sábado, 29 de maio de 2010

INFÂNCIA...


INFÂNCIA

Fui eu o menino que domou o Dragão!
E foi com ele que eu conheci o mundo...
Era um tempo de aventura e muita ação.
Do alto do monte ao abismo mais fundo

Com meu Dragão eu nunca tive medo...
Era meu amigo e enxergava no escuro.
Partilhava a vida e voava em segredo.
Eu ainda nem sabia que existia o futuro

Conheci a Sereia e a Iara mãe do rio
Curupira... Boi Tatá e um Saci Pererê.
Vi a Fada Madrinha tremendo de frio,
Coisas, em que hoje mais ninguém crê

Um dia o Dragão foi embora e não voltou
Eu nunca mais voei... Tornei-me adulto.
Jamais esqueci o que ele me contou...
Repare naquela nuvem! Parece um vulto.

É o meu Dragão que lá de cima espia
A procurar o menino que fui eu...
Estou aqui Dragão! É fim de dia
Vem me salvar Dragão! amigo meu.

Devolve a minha alegria de criança...
Põe nos meus olhos novamente a luz
Afasta da minha vida a desconfiança
... Para aos céus de novo me conduz!

Gastão Ferreira

TELA


TELA

O dia em que eu for embora
E me transformar em nada,
Serei um pouco de tudo
Do que aprendi na jornada.

Serei um pouco do vento
Serei a rua alagada...
Serei Iguape ao relento
Por Bom Jesus abençoada.

Serei a Festa de Agosto
Serei o Cristo no Monte
Serei menino sem rosto
Bebendo água na fonte.

Pescador! Lembra de mim.
Não mude o rumo da vela
Para que eu fique assim
Como dentro de uma tela...

Então serei passarinho...
Ave na mata encantada
E Iguape será meu ninho
Minha luz na madrugada!

Gastão Ferreira

HORA DO VOTO


HORA DO VOTO

Chegou a hora do acerto
É a hora da razão...
Agora é a hora do aperto
É a hora de um não!

De um não a roubalheira
Ao bolso do cidadão...
Um não a tanta besteira
Um não a avacalhação...

É a hora da cobrança
Ao voto que a gente deu
É a hora da mudança
De se olhar o que perdeu

Meu povo essa hora existe
Ponha um fim à escuridão!
A todo o temor resiste...
Aprende a dizer um não!

Um não a quem nos dirige
Como gado ao matador...
A quem a cidade agride
Com tanta falta de Amor!

Vamos plantar a semente
De uma árvore esperança
Trabalhando realmente
Para que haja a mudança...

Não venda o voto pedido
Acredite em seu futuro...
Pois todo o voto vendido
São quatro anos de escuro.

Gastão Ferreira

CANTADOR


CANTADOR

Eu quero sentir espanto
Num coração sonhador
Ouvir o primeiro canto
Do sabiá madrugador!

Eu quero ver da colina
O barco de um pescador
Cantando entre a neblina
Passarinho... remador...

Quero provar da doçura
Que o mundo me oferece
Me embriagar da ventura
Que minha alma merece

Não carregar incertezas
De quem ofende de graça
A minha cruz com certeza
Não foi erguida na Praça...

Vou levando a minha sina
Como bom navegador...
A luz que me ilumina...
Fez de mim um cantador!

Gastão Ferreira

SORRIR


SORRIR


Saudade bate na porta,
Carregando tantos medos.
Agora bem pouco importa
Esses teus tolos segredos!

Por que lembrar o passado
Que morreu há tanto tempo?
Bem melhor ficar calado...
Pois meu futuro eu invento.

O que vai me acontecer
A você não diz respeito!
Tenho mais é que viver
Sem você dentro do peito.

Cansei de ficar magoado
Cansei de me apunhalar,
Nesse momento encantado
Eu quero mais é sonhar...

Não insista velha amiga
A porta não vai se abrir.
Fui eu que ganhei a briga
Voltei de novo a sorrir...

Gastão Ferreira

RANCHINHO


RANCHINHO

Vejo um ranchinho no sonho
Num sonho em que eu estava.
Na porta um homem risonho
E uma mulher que cantava!

Para as duas criaturas
Na pobreza do ranchinho
A noite não era escura...
A sua casa era um ninho.

Aquele homem sentado
Num silêncio de espera
Num momento encantado
Me roubou do Céu pra Terra

E aquela mulher querida
Com ternuras no olhar
Me carregou pela a vida
E me ensinou a sonhar...

Ranchinho que me importa
Se eras simples demais?
Saudade!Bate na porta.
Ali moraram meus pais!

Gastão Ferreira

MEU MENINO...



MEU MENINO...

Por que menino o destino
Se pôs comigo a brincar?
De um lado só desatino
Do outro lado... Sonhar!

O sonho que me embalava
Pelo caminho ficou...
Menino que Amor cantava
Quem o meu sonho matou?

Foi a vida indiferente...
Foi falta de compreensão?
Oh! Meu menino inocente
Sou parte da escuridão...

Perdi-me pelos caminhos
Fui pelo mundo tragado...
Tristeza! Tantos espinhos
No meu olhar estampado.

Meu menino foi embora
Meu menino envelheceu
Que saudade sinto agora
Do menino que era eu!

Gastão Ferreira